Não sei como explicar. Eu tenho problemas para dormir onde
quer que não seja a minha casa. A casa onde minha avó mora, especialmente
falando, tem algo que, como se diz em inglês, scares the hell out of me, ou seja, me assusta muito.
Pode parecer bobagem pra muitos, mas naquela casa tinha
qualquer coisa que não bateu comigo. A casa é muito antiga – só não digo que é
tão velha quanto a cidade, porque a cidade é bem mais velha. Daí que, quando fui
dormir, fiquei lá, de zoião aberto,
olhando para o escuro.
Só faltou ter medo dos monstros debaixo da cama. NÃO RIAM!
Comecei a pensar em algo que pudesse me distrair até eu
dormir (porque cansada eu já estava). SIM! O mp3 player. “Chuchei” os fones nos
ouvidos e comecei a me distrair. Aí eu dormi. Quando acordei, não tinha mais
música, claro. A bateria tinha ido pro saco.
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| A igreja em que meus avós se casaram |
Logo na manhã do sábado, com todo o friozinho (lá naquela
cidade faz um frio do cão), fui caçar um café da manhã decente. E o que é um
café da manhã decente, meu povo? TONELADAS DE PÃO DE QUEIJO. Leite direto da
vaca e biscoitos de polvilho. Não tem erro.
Nesse primeiro dia até que foi bacana: ficar de papo pro ar
se fazer nada, andar a esmo. A notícia de que estávamos na cidade (pelo menos
metade dela é parente da minha mãe, logo, meu parente também) correu e logo
diziam que iríamos ficar um mês. *pausa para rir histericamente da fofoca*
Visitas e mais visitas para ver os velhos amigos da minha
mãe e ouvir histórias pitorescas sobre o passado. Boas risadas. Mais café e
mais pão de queijo. Assim eu iria embora arrastada por um guindaste de tão
gorda.
O único problema, de novo, foi dormir. Lembrei-me de uma
coisa sobre a minha avó: ela não dorme com as galinhas. Dorme antes delas, para
poder acordá-las na manhã seguinte. Isso equivale dizer que quando deu SETE E
MEIA DA NOITE ela já estava puxando o ronco literalmente. Como lidar com isso?
Eu não podia ver TV, não podia zanzar pela cidade porque não havia nada para
fazer e mesmo que houvesse... como eu iria entrar na casa de novo? Ia acordar
todo mundo?
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| Mapa da Estrada Real |
Olhei para o mp3 player. Ele olhou pra mim.
Teríamos uma noite tórrida... de novo.
Ok, ok. Manhã de domingo. Repetir o processo do café da
manhã. Andar por aí e tirar umas foteeenhas. E descobrir que eu iria morrer de
tédio em breve. Poderia fazer várias coisas (como visitar a cidade das
empadinhas, que fica razoavelmente perto), mas sem carro, não dava. E descobri
outra coisa desagradável sobre a cidade: não tem ônibus. Não tem meio de
transporte. Se você não tem carro, está na roça.
OH WAIT.
O jeito foi entrar em modo off mesmo e fazer algo que não
fazia há séculos: ABSOLUTAMENTE NADA. Só que até fazer nada cansa. Eu alternei
entre algumas visitas com a parentada, conversas com a vó e dormir
profundamente. Tá bom, vai. De vez em
quando é bom não fazer nada assim.
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| Em frente à igreja |
Dia seguinte, hora de ir embora. Não sabíamos ao certo o que
iríamos fazer, se ficávamos em BH mais uns dias, se visitávamos outra cidade...
eu e minha mãe iríamos decidir o que fazer quando chegássemos lá. Bora entrar
no busão from hell que acabou com meu
joelho de novo, bora ficar “agarrada” no trânsito em plena manhã de segunda...
mas o que foi legal é que, com o ônibus é obrigado a cruzar a cidade para
chegar à rodoviária, pude ver mais coisas. Vi o Parque Municipal e, pelo menos
de longe, me pareceu muito lindo. Um lugar para se visitar quando voltar à
cidade.
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| Notaram o formato de coração? <3 |
Depois de guardar as tralhas na rodoviária de novo, hora de
curtir o Mercado Central como devido. E dessa vez nada de dar bobeira: ir de
táxi da rodoviária até lá é muito barato. Não vale a pena sair andando, não.
Menos de dez reais, na ida e na volta; e aqui devo fazer um elogio aos dois
taxistas que nos atenderam: honestos quanto ao preço, foram direto pro destino
e foram muito, muito simpáticos. (Digo isso porque em São João Del Rey, quando
fui, não tive a mesma sorte).
E aí sim, o Mercado em todo o seu esplendor. Uma coisa que
se diz muito sobre BH é que lá é visita obrigatória. E é MESMO. Não deixe de ir
de modo algum, passando ou ficando por lá. Conheço o Mercadão de São Paulo e
olha: sinceramente, nem esse bate o mineiro, viu. São muitas lojas, onde se
encontra de tudo. Tem desde artigos baratinhos até os mais sofisticados. É realmente
um lugar democrático.
Fiquei horas lá, andando, admirando, e claro, comprando. Fiz
a festa. Comprei doces, queijos, pequenas bugigangas, artesanato. É um paraíso,
de fato. Você fica perdido com tanta coisa legal que tem lá dentro.
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| Ren! |
Ah, e encontrei até uma loja com artigos indianos. Tinha um
cosplay do Ren, de A Maldição do Tigre,
lá dentro. Lindo.
Não queria sair de lá, juro, mas o corpo já estava
reclamando. Claro que não iria embora sem verificar outra lenda de Beagá: a
comida de boteco. Tem até festival,
como muitos de vocês já saibam, mas no meu caso, foi uma coisa mais simples,
mesmo. Foi um ‘almoço de boteco’, por assim dizer.
Chegando ao Bar do Mané Doido lá no mercado você não dá
mesmo nada por ele. É um bar que leva a sério o conceito de ‘boteco’. Não menospreze
o bar pelo preço barato. A comida é simples, caseirinha mesmo, mas olhem.
OLHEM.
Eu nunca comi um troço tão gostoso na vida. Tive que tirar
uma foto pra vocês verem: é um prato feito, sim, mas é o melhor prato feito que
já vi na vida! Comida pra um batalhão. É simplesmente delicioso. Estou com saudades desse feijão tropeiro até agora, e juro
que se morasse em Belo Horizonte, iria lá comer toda semana. É inacreditável de
tão bom.
Como não poderia morar lá dentro do Mercado, fui embora com
o coração na mão e jurando voltar um dia.
Daí...
De volta à rodoviária, sem saber direito pra onde ia (estava
quase voltando pra Ouro Preto, perto, baratinho), minha mãe arregou e acabou
pedindo pra gente voltar pra casa. Confesso que a maratona me cansou também, e
acabei concordando. Queria muito ter ficado mais, não vou mentir. Mas isso de
ficar de um lado pra outro não é mole, viu minha gente? Ainda mais carregando
coisas pra lá e pra cá.
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| Dos deuses! |
Mas valeu a pena. Mais que os cacarecos de lembrança, trouxe
na bagagem lembranças legais, céus azuis, novos horizontes e novas paisagens
gravadas nos olhos. E a certeza de que viajar é uma das melhores – senão a
melhor – coisa da vida.
Agora é começar a contagem regressiva para as férias do ano
que vem!
























